| Escrito por Cláudia Brito Marques,
em 08-05-2009 16:02
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Realizou-se, nos dias 16 e 17 de Abril, o II Encontro de USF de Santa
Maria da Feira, organizado pela USF Egas Moniz, no âmbito das comemorações do
seu segundo aniversário. O grande
objectivo da iniciativa - que teve lugar no auditório da Biblioteca Municipal
de Santa Maria da Feira e reuniu médicos, enfermeiros e administrativos das oito USF já em funcionamento no concelho - foi fazer um
balanço do muito trabalho já realizado neste novo modelo organizativo. A
contratualização e a formação nas USF foram dois dos principais temas em debate
Com mais de uma centena de inscritos, um programa
apetecível, sessões sempre muito participadas e a presença de responsáveis de
topo do sector da Saúde - presidentes da Administração Regional de Saúde do
Norte e da direcção do Hospital de São Sebastião - a segunda edição do Encontro
das USF do concelho de Santa Maria da Feira foi "um verdadeiro sucesso".
A organização deste evento esteve, uma vez mais, a
cargo da equipa da USF Egas Moniz, uma das primeiras unidades de saúde familiar
(USF) a abrir portas no concelho, a 17 de Abril de 2007.
Vale a pena ser USF? foi um dos temas centrais debatidos pelos vários
profissionais dos cuidados de saúde primários (CSP) presentes no auditório da
Biblioteca Municipal da Feira. A esta pergunta, o coordenador da USF Egas
Moniz, Mário Canossa Dias, responde com um "Sem dúvida alguma que sim!". Já em
resposta à questão que deu título à sua apresentação - USF tipo A ou B? - o médico de família (MF) reconhece vantagens ao
modelo B - em vigor na USF Egas Moniz desde o dia 1 de Julho de 2008 - mas
também alguns problemas...
Entre as USF de modelo A e B, Mário Dias salientou,
como semelhanças, "as características de se ser USF, o compromisso
assistencial, a contratualização e a possibilidade de se aceder a incentivos
institucionais". No que toca a diferenças, na passagem a modelo B, o
coordenador da USF Egas Moniz apontou, à cabeça, "o vencimento", seguido de
aspectos como "a necessidade de monitorização dos utentes inscritos com maior
frequência, a contratualização e a possibilidade de ter incentivos
financeiros".
Mas nem tudo são rosas no modelo B... E os espinhos,
segundo Mário Dias, vêm em forma de "módulo estatístico, fragilidades dos
sistemas de informação, unidades ponderadas que não contam para a reforma dos
enfermeiros e dos funcionários administrativos". Estas duas categorias
profissionais são ainda penalizadas em situação de doença, recebendo apenas o
vencimento base.
Em jeito de conclusão, o coordenador da USF Egas
Moniz salientou que "o modelo B é mais exigente do ponto de vista organizativo,
exige muita qualidade na prestação de cuidados e dá mais trabalho... Mas, promove
o desenvolvimento da equipa, dá mais satisfação e maior compensação pelo
desempenho".
Para além disso, acrescentou, "o modelo B permite à
equipa lidar com novos desafios, aumentar a eficácia da organização, adquirir
novos conhecimentos, na medida em que favorece o enriquecimento pessoal através
da troca de ideias, a responsabilidade é distribuída por todos os membros da
equipa e promove o espírito de entreajuda, gerando relações de confiança e
flexibilidade".
Educação para a saúde sai a ganhar com USF
Enquanto base do trabalho em CSP, a educação para a
saúde foi o tema abordado por Joana Dias, enfermeira da USF Egas Moniz, na
sessão Vale a pena ser USF?.
Na óptica desta profissional, a implementação das USF
e a figura do enfermeiro de família abriram novos horizontes a este aspecto
crucial da prestação de CSP. Assim, muita coisa mudou na educação para a saúde
com as USF... De acordo com Joana Dias, "há uma maior motivação por parte dos
profissionais, que têm mais tempo livre para dedicar à prevenção, bem como uma
maior confiança do utente na sua equipa MF/enfermeiro de família".
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