| Escrito por Adelaide Oliveira,
em 20-02-2009 11:28
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A
USF Pinhal de Frades, que agregava também o pólo de Torre da Marinha,
dividiu-se. Enquanto que Torre da Marinha mantém o estatuto de USF, Pinhal de
Frades prepara-se para apresentar nova candidatura
Miguel
Natal, ex-coordenador da USF, explica o sucedido: "existiam procedimentos
diferentes e metodologias muito distintas em cada uma das extensões, mas
acreditávamos que através de reuniões, de consensos e da uniformização
consecutiva dos processos, acabaríamos por formar um corpo comum, embora em
espaços físicos diferentes. Infelizmente isso não aconteceu e, com o passar do
tempo, as diferenças de funcionamento agravaram-se, aumentando progressivamente
o distanciamento entre ambos os pólos".
A
situação precipitou-se com a doença de uma médica de Pinhal de Frades. Durante
os três meses que durou a sua ausência, a unidade de saúde familiar teve que
organizar-se para proceder à intersubstituição. "E foi o cabo dos trabalhos",
diz-nos Miguel Natal. "Não podia mobilizar um profissional de Torre da Marinha
para Pinhal de Frades porque deixaria a sua lista a descoberto. Se estivéssemos
no mesmo espaço físico, talvez o problema pudesse ser facilmente resolvido mas,
assim, nunca conseguimos chegar a acordo".
A
equipa de Pinhal de Frades encarregou-se da lista da colega mas isso
representou uma tremenda sobrecarga para os profissionais.
Pinhal de Frades
lança-se de novo...
Miguel
Natal explica que, enquanto os médicos de ambos os pólos da USF conseguiram
entrosar-se e trabalhar em equipa, os sectores de enfermagem e administrativo
nunca conseguiram uniformizar procedimentos. Surgiram esquemas diferenciados de
intervenção junto dos doentes, o que se tornava notório quando um médico de
Pinhal de Frades ou da Torre da Marinha formava equipa com enfermeiro ou
administrativo de outro pólo que não o seu. "Chegámos a redigir normas de
actuação mais ou menos comuns mas não resultaram". Por fim, os profissionais
decidiram que seria preferível que cada uma das unidades evoluísse de forma
autónoma.
O
processo de desdobramento foi denunciado por Pinhal de Frades, onde a coesão da
equipa, segundo Miguel Natal, foi sempre maior que a de Torre da Marinha.
"Trabalhamos juntos há muitos anos e, por isso, foi fácil manter a coesão e
continuidade da equipa". Na opinião do médico, essa coesão explica, também, o
facto de, embora o número de profissionais fosse inferior, "entre 50 a 60% da rentabilidade, eficácia
e produtividade da USF era produzida em Pinhal de Frades. Quando surgiu o
problema da doença da nossa colega, essa diferença notou-se ainda mais".
Miguel Natal, ex-coordenador da USF Pinhal de Frades
Seja
como for, todos os profissionais de Torre da Marinha e Pinhal de Frades
abraçaram o projecto das USF e manifestaram vontade de continuar.
A
tutela entendeu que, uma vez que foi Pinhal de Frades a denunciar a situação,
Torre da Marinha deveria manter o património da unidade de saúde familiar. A
única coisa que muda é a designação da USF, que será alargada com a contratação
de mais um médico, um enfermeiro e um administrativo. Provavelmente, já no
próximo mês de Março.
Entretanto,
Pinhal de Frades está a ultimar uma nova candidatura que integra, não três, mas
quatro médicos de família. "Quanto maior for o número de equipas, melhor", diz
Miguel Natal, sublinhando que o desdobramento da USF e o reforço das equipas de
Torre da Marinha e de Pinhal de Frades significa que "a zona que se estende de
Fernão Ferro até ao rio, ficará sem utentes a descoberto".
Ampliação das
instalações
Até
à homologação da candidatura pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e
Vale do Tejo, Pinhal de Frades funcionará como extensão do Centro de Saúde do
Seixal, embora com características muito particulares: "funcionamos como USF,
embora, legalmente, ainda não o sejamos".
Entretanto,
está prevista a ampliação das instalações, já que o pré-fabricado de madeira,
onde actualmente funciona a unidade, é demasiado exíguo para responder ao
alargamento da equipa.
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