| Escrito por Adelaide Oliveira,
em 27-09-2008 16:06
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O Governo
decidiu integrar 150 médicos imigrantes no Serviço Nacional de Saúde. O
programa será coordenado pela Fundação Calouste Gulbenkian, executado pelo
Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR) e financiado pelo Ministério da Saúde. São
também parceiros as faculdades de medicina portuguesas e os ministérios dos
Negócios Estrangeiros e da Administração Interna.
O novo
programa tem a duração de 21 meses e visa facilitar a integração de médicos
imigrantes licenciados em países com os quais Portugal não tem acordos de
reconhecimento automático de habilitações… E que queiram trabalhar no Serviço
Nacional de Saúde. As candidaturas vão ser apresentadas no âmbito de um
concurso público, a realizar ainda este mês.
O SJR e a
Fundação Calouste Gulbenkian foram pioneiras num projecto idêntico, que decorreu
entre 2002 e 2005 e que permitiu que 107 médicos, de um total de 120, alcançassem
equivalência curricular… E estejam hoje a trabalhar no SNS, um pouco por todo o
país.
De acordo
com André Costa Jorge, director do SJR, o balanço do primeiro programa foi
"muito positivo". A prova disso é que agora, "será o Ministério
da Saúde que vai apoiar financeiramente o novo projecto".
Este tem
duas dimensões. Desde logo, uma "vertente humanitária, uma vez que se
trata de imigrantes que vêm para Portugal porque nos seus países de origem não
encontram condições de vida com o mínimo de qualidade e estão no nosso país a
exercer funções não ajustadas aos seus currículos, sobretudo na área dos
serviços, como a construção civil ou a limpeza". Por outro lado, assume
uma dimensão de interesse público, na medida em que são "pessoas com
competências muito acima da média nacional, que podem dar um contributo muito
significativo, com um custo zero para o país em termos de formação".
Na
opinião do responsável do SJR, "seria um erro não aproveitar estas
pessoas. Basta que o país as consiga reenquadrar, com alguma formação mínima, e
integrar-se-ão no sistema nacional de saúde como qualquer médico
português".
"Era
importante garantir o interesse público do programa"
No grupo
de 2005, a
grande maioria dos médicos era originária de países de Leste, embora também
existissem alguns dos PALOP. O novo programa prevê, agora, abranger 150
candidatos procedentes de vários países.
André Costa
Jorge explicou ao nosso jornal que a primeira experiência "não partiu de
uma iniciativa aventureira mas de uma realidade detectada e diagnosticada pela
SRJ. Feita a avaliação, verificámos que continuavam a subsistir necessidades
que importava satisfazer. Decidiu-se avançar para uma segunda edição do
projecto, mas era preciso criar as condições necessárias, uma vez que tem um
grau de exigência elevada, e também encontrar compromissos por parte da
sociedade civil e do Estado. Não bastava o envolvimento da SJR e da Fundação
Gulbenkian. Era também importante garantir o interesse público do
programa".
O
projecto deverá arrancar ainda este mês, e tal como na experiência anterior, é
o SRJ quem recebe e faz o acompanhamento das candidaturas, verifica se a documentação
está em ordem e decide acerca da elegibilidade dos candidatos, de acordo com
regras específicas, pré-determinadas. Depois da avaliação das candidaturas,
aqueles que forem apurados, começam a receber formação em Língua e Cultura
Portuguesa, em estabelecimentos de ensino de várias zonas do país. Segue-se a
fase de formulação da candidatura às diversas faculdades de Medicina para a
realização do estágio. Nesse momento, começa também a aprendizagem de português
técnico, em articulação com a Universidade Nova e a Faculdade de Letras de
Lisboa. Depois do processo normal de exames, tem início o Internato.
Há alguns
médicos imigrantes que fizeram todo este processo sozinhos. Só que a grande
maioria não possui meios que garantam a subsistência durante o período de
realização do estágio. Uma das funções da SJR será a gestão das bolsas que vão
ser agora atribuídas pelo Ministério da Saúde e não pela Gulbenkian, como em
2005, embora a Fundação continue a participar na coordenação e avaliação do
projecto.
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