| Escrito por Adelaide Oliveira,
em 27-09-2008 15:10
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Com
a entrada em funcionamento da USF Balsa, o concelho de Tavira deixou de ter
utentes sem médico de família atribuído. A terceira unidade de saúde familiar
do Algarve arrancou com sete médicos de família, oito enfermeiros e oito
administrativos. Com a incorporação na equipa do actual director do centro de
saúde, a USF vai abranger cerca de 13 mil utentes. Destes, 3.900 não tinham
médico de família
A abertura da Unidade de Saúde Familiar (USF)
Balsa, do Centro de Saúde de Tavira representa um ganho de quase quatro mil
utentes que anteriormente, não tinham médico de família atribuído.
Com as unidades de saúde familiar, “abre-se
uma nova forma de estar e de proximidade”, afirmou Rui Lourenço, presidente da
Administração Regional de Saúde do Algarve, por ocasião da inauguração da USF.
“Tem sido grande a dificuldade em termos de acessibilidade aos cuidados de
primeira linha. As USF são uma forma de resolvermos, talvez de uma forma
decisiva, esse problema”.
A USF Balsa arrancou com sete médicos de
família (seis do Centro de Saúde de Tavira e um do de Albufeira). Mas o quadro
vai ser reforçado, ainda em 2008, com a incorporação do actual director do
Centro de Saúde de Tavira, Matos Ferreira.
A equipa de enfermagem conta com oito
elementos e o secretariado administrativo com sete. Todos eles pertencem ao
centro de saúde e, de acordo com o coordenador da USF, Victor Palmeira,
aderiram de imediato ao desafio proposto pelos médicos.
Alargamento
de horário aos fins-de-semana
Quando estiver completa, a equipa da USF vai
abranger cerca de 13 mil pessoas. Para além da grande mais-valia para o concelho,
que deixa de ter utentes a descoberto, os profissionais decidiram alargar o
horário de funcionamento, durante a semana, passando a USF a encerrar às 21
horas e não às 20, como até aqui. Além disso, os serviços estão abertos aos
sábados, domingos e feriados, entre as 8 e as 14 horas, com excepção do Natal e
Ano Novo.
Segundo Victor Palmeira, esta decisão
resulta de uma necessidade percebida pelos profissionais que trabalham no centro
de saúde há muitos anos. “Verificámos que muitos utentes recorrem à urgência
aos fins-de-semana e feriados. Decidimos, então, continuar a dar-lhes cobertura
os sete dias da semana mas, agora, com outra qualidade. O alargamento de
horário até às 21 horas, durante a semana, visa igualmente aumentar a
acessibilidade, de modo a que os utentes inscritos na nossa USF não tenham
necessidade de recorrer a nenhum outro serviço, excepto em situações de real
urgência e emergência”.
Além do alargamento de horário e do aumento
dos ficheiros para 1.700 utentes, a equipa implementou uma consulta de cessação
tabágica. O apoio domiciliário, destinado a pessoas dependentes ou acamadas, vai
registar um novo impulso.
Todas estas mais-valias representam “um
esforço muito grande. Por isso, não queremos alargar a carteira de serviços até
termos a certeza de que podemos responder cabalmente a todos os compromissos
que assumimos”.
A equipa avançou com o Modelo A. “Mais
tarde, decidiremos se continuamos neste regime ou se nos candidatamos ao Modelo
B. Tudo depende da progressão da equipa”, diz o coordenador.
Processo foi
relativamente rápido
De acordo com Victor Palmeira, o processo de
implementação da USF foi relativamente rápido. As primeiras reuniões do grupo
tiveram lugar em Novembro de 2006. “Apresentámos a candidatura em Abril de 2007,
e a 3 de Dezembro começámos a funcionar”, embora em instalações provisórias.
Com efeito, a equipa ocupa ainda o espaço
correspondente a um módulo do centro de saúde, localizado no rés-do-chão do
edifício. Possui uma ampla frente administrativa, com dois balcões de
atendimento, mas a sala de espera é exígua e, se bem que existam gabinetes para
todos os médicos, o espaço de enfermagem é “um pouco apertado”.
Previsivelmente, até ao final de 2008, a USF será transferida para as antigas
instalações do SAC – Serviço de Atendimento Complementar –, no rés-do-chão, que
foram objecto de obras de beneficiação. O espaço da USF será ainda
complementado com uma ala do primeiro andar do edifício.
Mudança
desejada há muito tempo
De acordo com o coordenador, o processo
decorreu com toda a normalidade nos dias prévios à abertura da unidade de saúde
familiar, embora com alguma azáfama, uma vez que foi necessário proceder à
transferência de ficheiros e objectos pessoais de um local de trabalho para
outro.
Para Victor Palmeira, o primeiro dia de
actividade da USF representou o culminar de uma mudança há muito desejada por
todo o grupo.
Para os profissionais, “foi um dia
diferente”. E o mesmo se passou com os utentes que já perceberam que, tanto nas
consultas programadas, como “em todas as situações de doença aguda”, devem
procurar a USF Balsa. Como refere o Guia do Utente da unidade de saúde
familiar, “só os utentes em situação de emergência e encaminhados pelo 112
podem ir ao serviço de urgência”.
Ainda ao nível do atendimento médico, o Guia
explica que os utentes com marcação prévia só devem dirigir-se à USF 15 minutos
antes da hora marcada pelo administrativo. No que se refere às consultas sem
marcação, depois de avaliado pelo médico ou enfermeiro, o utente “será atendido
no próprio dia ou, caso se justifique, será marcada consulta” posterior.
De acordo com o coordenador, a primeira hora
de consultas do dia – entre as 8 e as 9 horas – é destinada a atender as
situações agudas. A partir daí, cada clínico destina 15 minutos de cada hora
para as consultas não programadas.
Em qualquer circunstância que implique a
ausência do seu médico, o utente “será acolhido e encaminhado por outro
clínico”, ou seja, a intersubstituição está assegurada.
Macário
Correia: “USF
têm o nosso total apoio”
O presidente da Câmara Municipal de Tavira,
Macário Correia, esteve junto dos profissionais e comemorou com eles o primeiro
dia de funcionamento da USF. A sua opinião, relativamente às unidades de saúde
familiar, garante, “ é muito positiva, na medida em que permitem uma
flexibilidade de gestão diferente, sem a burocracia habitual da Função Pública,
o que dá hipótese a mais utentes terem médico de família”. Destacando o facto
de a USF Balsa ter um horário de atendimento alargado aos fins-de-semana e de
absorver milhares de utentes que anteriormente não tinham médico de família
atribuído, o autarca do PSD afirma, sem hesitar: “o nosso apoio a este processo
é total”.
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