| Escrito por Cláudia Brito Marques,
em 18-09-2008 14:57
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Para
a ministra da Saúde, Ana Jorge, a reforma em curso nos CSP “não se esgota nas
USF”, sendo as Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados, previstas para o
início de 2009, a
solução para “melhorar o acesso aos utentes não incluídos em USF”
Em
Setembro de 2006, arrancavam as primeiras unidades de saúde familiar do País.
Nascente, Valongo, São João do Sobrado e Condeixa davam o pontapé de saída ao novo modelo organizativo em cuidados de saúde
primários, bafejado por um inequívoco apoio governamental. Correia de Campos, o
então ministro da Saúde, fez das USF a sua bandeira política - e mediática - e
a reforma foi conquistando cada vez mais profissionais. Passados dois anos, são
já 143 as USF em funcionamento e perto de três mil os profissionais envolvidos. A actual inquilina da
João Crisóstomo, Ana Jorge, reconhece a “elevada complexidade” do processo em
curso e sublinha que este “não se esgota nas USF”…
Dois anos após o arranque das primeiras unidades de
saúde familiar (USF), a ministra da Saúde, Ana Jorge, diz que a reforma dos
cuidados de saúde primários (CSP), e a implementação de USF, nomeadamente, são
para continuar.
Numa entrevista recente à agência Lusa, a sucessora
de Correia de Campos anunciou a criação de novas USF em 2009, como uma das
medidas da tutela para melhorar o acesso dos utentes aos CSP.
A propósito
do segundo aniversário da entrada em funcionamento das primeiras quatro USF no
País – a USF Valongo e a USF São João do Sobrado (Centro de Saúde de Valongo),
a USF Nascente (Centro de Saúde de Rio Tinto, em Gondomar) e a USF Condeixa
(Centro de Saúde de Condeixa), que abriram as portas a 4 de Setembro de 2006, a actual inquilina da
João Crisóstomo reconhece a “elevada complexidade” da reforma em curso… que
“foi desenvolvida apesar de vários constrangimentos, nomeadamente ao nível dos
recursos humanos”.
De
acordo com a governante, “os objectivos até agora atingidos são seguramente
satisfatórios”.
Actualmente,
segundo dados da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), estão no
terreno 142 USF, que “permitiram atribuir médico de família (MF) a cerca de 190
mil utentes que estavam a descoberto, num universo de quase dois milhões de
portugueses abrangidos”, adiantou Ana Jorge.
O
objectivo da tutela é chegar ao final deste ano com mais USF do que as
inicialmente previstas pelo Governo (150). Em 2009, a meta será alcançar as
250 USF em funcionamento.
Para
o próximo ano, o Ministério promete ainda uma solução para os centros de saúde
(CS) que não aderiram a este modelo organizativo, cuja existência motivou
algumas críticas desde o início, nomeadamente a de que a reforma criou “filhos
e enteados”. Médicos e enfermeiros criticam a existência de condições
diferentes nos CS que aderiram ou não ao modelo das USF, com melhorias e
benefícios para aqueles que aderiram.
A
ministra conhece as críticas e afirma que “a reforma dos CSP, de forma a
garantir a mesma qualidade e equidade de acesso a todos os utentes, não se
esgota nas USF”. Como tal, adianta: “até agora, a proposta do Governo tem sido
a de permitir aos profissionais de saúde que se organizem com autonomia e estes
têm sido capazes de responder a este desafio. A partir do próximo ano, a tutela
avançará com uma resposta para melhorar o acesso e aumentar o número de utentes
com MF”.
Essa
resposta passa pela criação de Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados
(UCSP) nos CS que não aderiram ao modelo USF. Na prática, estas equipas irão
trabalhar num modelo semelhante ao das USF, embora não por iniciativa dos
profissionais – médicos, enfermeiros e administrativos – mas por decisão da
direcção.
250 USF em 2009 é “objectivo viável”
Na
opinião do coordenador da MCSP, Luís Pisco, “já ninguém tem dúvidas de que as
USF prestam melhores cuidados aos cidadãos e que os profissionais que lá
trabalham estão mais satisfeitos. A única crítica que oiço é a de que deveriam
existir mais USF e eu sou o primeiro a concordar”.
Quanto
às outras críticas – “as de que existem profissionais de primeira e de segunda”
– o responsável lamenta que ainda persistam, nesta fase da reforma… “Há dois
anos que ouvimos isso… Dá a entender que essas pessoas ainda não compreenderam
que este processo começou por uma fase voluntária, bottom up, em que os profissionais tiveram autonomia para se
organizarem e escolher a equipa com que gostariam de trabalhar. A partir de
agora, com a criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) e das UCSP, a
estratégia será top-down e a
constituição e gestão das equipas dependerá de decisão da administração destas
estruturas”, esclareceu, em declarações ao Médico
de Família.
Para
Luís Pisco, a entrada em funcionamento dos ACES e das UCSP também pode ser um
incentivo extra aos profissionais que ainda não se organizaram em unidade de
saúde familiar. “Pode ser que concluam que, apesar de tudo, há vantagens em
constituírem-se e proporem-se como USF” preconiza.
Entretanto,
o número de USF não pára de aumentar... São já 142 os grupos a trabalhar no
novo modelo organizativo de Norte a Sul do País e aproximadamente três mil os
profissionais envolvidos. Para além disso, há 10 unidade preparadas para
avançar.
E
basta olhar para a média de USF que abrem por mês (seis), para perceber que a
reforma está imparável e que a meta das 250 unidades de saúde familiar até
Dezembro de 2009 é “perfeitamente viável”, crê o líder da equipa de Missão.
“No
primeiro ano arrancaram 70 USF e no segundo 72. Até ao final deste ano novas
equipas iniciarão actividade. Parece-me uma média bastante impressionante,
tendo em conta os constrangimentos que ainda enfrentamos a cada candidatura –
necessidade de realizar obras, problemas de mobilidade profissional,
dificuldades informáticas, entre outros”, explicou Luís Pisco.
A
manter-se este ritmo, Luís Pisco acredita que dentro de um ano serão cerca de
210 as USF em actividade e 250 em Dezembro de 2009. “Vamos continuar a avaliar,
que é o que também já temos vindo a fazer. As agências de contratualização têm
já dados muito favoráveis sobre o funcionamento das unidades de saúde familiar”,
adiantou ao nosso jornal o coordenador da MCSP.
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