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Reforma dos CSP
USF estreiam em Queluz: quando a teimosia compensa PDF

Escrito por Tiago Reis, em 17-07-2008 19:54


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Num centro de saúde com mais de 50 médicos de família, 127 mil utentes inscritos e uma população (em grande parte carenciada) que não pára de crescer, não se augurava fácil a criação de unidades de saúde familiar. Com o arranque da Mãe d’Água e da Mactamã, o Centro de Saúde de Queluz prova que mesmo face a condições duras, quando a espera se prolonga e os problemas se acumulam, a persistência compensa. Só com muito suor (da directora do Centro de Saúde e dos profissionais das duas equipas) e flexibilidade por parte dos representantes do poder local e das estruturas do Ministério da Saúde, se evitou o resvalar para o desânimo  

Foram penosos os últimos meses de expectativa até à abertura, em definitivo, da Extensão de Massamá, do Centro de Saúde de Queluz. À imagem de outros casos registados no país, foram necessários quase dois anos após o encerramento das obras, para que a infra-estrutura abrisse as portas, a profissionais de saúde e utentes. Neste interregno, questões de pormenor associadas a definição de espaços, equipamentos e serviços, com desacertos impossíveis de esconder entre a Administração Regional de Saúde (ARS), Câmara Municipal de Sintra (CMS) e Junta de Freguesia de Massamá, protelaram o dia D. A inauguração era urgente. Não só porque os habitantes careciam de um equipamento naquela localidade, mas também porque este era o derradeiro ingrediente para uma nova receita de saúde para a região, feita de duas unidades de saúde familiar (USF): a Mactamã e a Mãe d’Água.
inauguracao_massama_2.jpgPara 30 mil pessoas, o mês de Julho marca o início de uma nova solução na prestação de cuidados de saúde. Muitos delas eram seguidas na Extensão de Saúde Lusíadas (de onde provém a grande maioria dos médicos de família da Mactamã). Outros vieram da Extensão de Monte Abraão, génese do grupo que constitui a Mãe d’Água. No total, a Mãe d’Água, que integra cinco médicos, cinco enfermeiros e quatro administrativos, abarca nove mil e trezentos utentes, enquanto a sua congénere Mactamã apresenta uma envergadura mais substancial, ao servir 21 mil pessoas, graças ao trabalho de 12 médicos, dez enfermeiros e dez administrativos. Ambas as equipas têm um historial interessante, na conquista de autonomia. Basta dizer que os dois coordenadores procuraram lançar Projectos Alfa, que acabaram por não vingar. Nas instalações agora estreadas, partilham o generoso espaço com a Unidade de Cuidados na Comunidade e a direcção do CS de Queluz.

Instalações com pequenos equívocos

De acordo com o coordenador da USF Mactamã, António Frazão, “apesar das vicissitudes dos últimos dois anos, o espírito de equipa foi-se cimentando”, sempre na perspectiva de se iniciar um novo projecto. Esta equipa esteve entre as primeiras dez do país a apresentar a sua candidatura, mas acabou por ter de esperar mais do que antecipava. Apesar de tudo, quer os elementos da Mactamã, quer os seus vizinhos da Mãe d’Água, jamais perderam o norte na travessia do deserto. Mesmo se às vezes as coisas não corriam exactamente como deviam. Durante a construção do edifício, por exemplo, em momento algum os grupos foram consultados sobre as necessidades dos diversos espaços.
imauguracao_massama_3.jpgMário Silva, coordenador da Mãe d’Água, julga que teria sido positivo envolver os profissionais, “quanto mais não fosse numa espécie de consultoria, em relação a aspectos técnicos, de maior especificidade”. Uma vez que tal não sucedeu, à medida que as USF prepararam a sua instalação foi necessário corrigir erros de pormenor. “Quem tem a responsabilidade de conceber um edifício desta complexidade e não angaria a opinião das pessoas que estão no terreno vai, com toda a probabilidade, fazer disparates”, salienta Mário Silva. Assim, e apesar de amplas e acolhedoras, com muita luz natural e traços de modernidade, as instalações de Massamá estão longe de ser perfeitas. A distribuição das salas podia ser melhor e falhou-se, de alguma forma, na projecção das redes de comunicações internas. Tudo isto obrigou a acrescentos aqui, correcções acolá e trabalhos adicionais que permitissem oferecer “aquilo que todos nós consideramos minimamente desejável para um espaço com esta categoria”, frisa Mário Silva.
António Frazão aponta mais um pequeno grande detalhe, que poderia ter sido evitado: “há casas de banho cuja porta abre para as salas de espera. Ora, para quem utiliza os sanitários, esta situação pode ser um pouco constrangedora. É apenas um exemplo de coisas sem grande importância, mas que teriam sido rectificadas com recurso ao bom senso”.
Segundo o coordenador da Mãe d’Água, o tempo que se perdeu até à abertura das duas unidades resulta de um ajustamento complexo, entre o dono inicial da obra (a CMS) e quem a recebe (o Ministério da Saúde): “na fase de entrega, estas duas entidades acabaram por ter de acertar detalhes. Com a empresa construtora de permeio. Entre as três partes estamos nós, os inquilinos, que nada temos que ver com estas guerras”. 

Equipas querem ser parte da solução

Quer Mário Silva, quer António Frazão conhecem o CS de Queluz por dentro e por fora. Encontram-se entre os primeiros médicos destacados para o CS de Queluz, já lá vão bem mais de duas décadas. Significa isto que começaram a conhecer os cantos à casa quando ainda se vislumbravam, nos campos, searas de trigo douradas, que deram lugar a fileiras de betão.
“Estamos no topo da carreira. Nada temos a ambicionar do ponto de vista individual. O que queremos é fazer qualquer coisa que seja útil para quem está connosco nas equipas e, em última análise, para quem nos procura”, adianta o coordenador da Mãe d’Água. Apesar de não esperar agradecimentos ou condecorações, Mário Silva julga que outras dívidas assomem no presente: “o que merecemos e exigimos, seguramente, é o respeito de quem está acima de nós. Se quem está em cima – seja em que patamar for – não contar com a nossa participação para validar decisões, vamos andar sempre um pouco desacertados”.

Dar… para finalmente receber

Graças à abertura destas duas novas USF, será possível integrar uma parte dos utentes sem médico de família (MF) da freguesia de Massamá e de freguesias vizinhas (cerca de sete mil pessoas). Porém, analisada a conjuntura global da região, bem como as transformações do último ano na prestação de cuidados concelhios, percebe-se que a cobertura adicional não será significativa. Isto porque os médicos adicionais que agora integram as equipas (e que permitirão o arranque de novas listas) vêm substituir colegas que estavam integrados no CS de Queluz e que foram mobilizados para outras USF, em diversos locais do território. “A Administração de Saúde, provavelmente numa ânsia de dar andamento à instalação das primeiras USF, promoveu um regime de mobilidade que destrambelhou alguns CS. O nosso foi um deles”, recorda o coordenador da Mãe d’Água. Só de uma assentada, zarparam do CS de Queluz para USF entretanto criadas, seis médicos, deixando a descoberto entre 10 a 12 mil utentes. Se os médicos da USF Mãe d’Água transitam de Monte Abraão com as listas mais ou menos estabilizadas (o que não permitirá uma incorporação substancial de novos utentes), o mesmo não se pode dizer dos profissionais da Mactamã. Esta equipa engloba agora três especialistas recém-formados, que terminaram o Internato de Medicina Geral e Familiar (MGF) em 2007. Depois, há que contar com mais dois médicos, oriundos dos CS da Amadora e de Rio de Mouro.
“Na prática, ganhamos cinco colegas, embora tivéssemos perdido antes seis. Ou seja, continuamos abaixo da linha de água”, aponta António Frazão.

Queluz: casa de formação

O problema da falta de recursos médicos poderá vir a ser ultrapassado no CS de Queluz, em parte, graças ao esforço interno de formação. De recordar que neste CS estão actualmente 12 internos e que, nos últimos anos, saem desta unidade uma média de 4 a 5 novos especialistas em MGF. “Não há nenhuma empresa que alcance o sucesso quando os seus quadros debandam, após o período formativo, por contingências de contratação”, defende António Frazão. Assim, para o coordenador da Mactamã é essencial que, daqui em diante, o CS de Queluz consiga beneficiar de todo o investimento que realizou nestes jovens médicos. Esta absorção natural poderá passar pelo surgimento de mais USF, constituídas essencialmente por sangue novo. Para já, a Mactamã faz-se de uma mescla de profissionais com décadas de experiências e de “rapaziada trintona”, como é apelidada por António Frazão.

Dividir o bem pelas aldeias

A criação das duas USF em Massamá resulta numa transformação importante para o CS de Queluz. De facto, a instalação das equipas no edifício de Massamá consegue, de uma penada, dois objectivos: melhorar o atendimento numa freguesia onde a cobertura de serviços era deficiente e redistribuir, com maior racionalidade, os recursos. A partir de agora, todas as extensões do CS de Queluz passam a servir entre vinte a trinta mil utentes. Uma escala mais equilibrada do que a que caracterizou, durante largos anos, a unidade de Monte Abraão (mais de 55 mil pessoas em lista). “Perante tais números, a vida torna-se ingovernável”, sustenta António Frazão.
Conseguir rácios mais agilizados será difícil nos próximos tempos, pelo menos no concelho de Sintra. Mário Silva diz mesmo que se revela necessário explicar à população os limites com que Portugal se depara: “a verdade é que temos observado, na população, expectativas que não correspondem à realidade que vivemos do lado de cá, na comunidade da saúde. Não há médicos disponíveis para baixar estes rácios e é essencial que os políticos o digam”.
Os utentes das duas unidades terão também que se adaptar a um novo percurso, para chegar ao serviço de saúde. Nada de delicado, já que a grande maioria reside a menos de três quilómetros da Extensão de Massamá. “As pessoas que vivem em ambiente urbano falam de barriga cheia, quando se trata de distâncias e de transportes. Com mais ou menos dificuldade, todas as pessoas que residem nesta área conseguem chegar até nós, sem problemas”, assegura Mário Silva.
Os próximos meses vaticinam novos hábitos. Alguns utentes deslocar-se-ão com o seu médico para Massamá e outros, em alternativa, optarão por ficar na unidade de cuidados de origem, entregues aos cuidados de um médico que desconhecem. Para António Frazão, esta fase decorrerá sem grandes agitações: “na altura em que foi criada a unidade de Monte Abraão assistimos a um fenómeno semelhante. O que verificámos, então, foi um processo de acamamento. Determinadas pessoas não queriam fazer mais 500 metros, enquanto outras eram tão fiéis ao seu médico que o seguiriam até ao Porto, se preciso fosse”.

Directora do CS apontou caminho

Maria Clara Pais, directora do CS de Queluz, declara-se satisfeita por sete mil dos 36 mil utentes sem MF na região, passarem a contar com um acompanhamento personalizado, num prazo máximo de um ano.  
Todavia, a responsável não quer dormir sobre os louros e relembra que muitos dos utentes que residem nesta zona geográfica permanecem sem respostas de fundo: “se temos 36 mil utentes sem MF e só conseguimos absorver sete mil, nesta fase, tal significa que estamos a falar ainda e sempre de um lençol curto. Não pudemos dar a volta à questão. Continuam a ser necessários mais médicos”. A directora da unidade de Queluz lançou também um repto aos utentes, no sentido de não cederem à histeria: “seria bom que não viessem todos a correr, ao mesmo tempo, na perspectiva de obterem um MF”.
Maria Clara Pais foi uma das impulsionadoras mais obstinadas das USF que agora se dão a conhecer. O coordenador da Mãe d’Água, pela sua parte, não esconde o agradecimento pelo empurrão recebido: “uma parte significativa da mobilização de todas as entidades para o fim comum das USF resulta da participação da nossa directora. Ela tem-se consumido para nos trazer até aqui”.
Aliás, para Mário Silva é compensador chegar à conclusão de que dentro do CS todos se reuniram em torno do interesse destas duas equipas: “dentro do nosso CS sentimos sempre uma enorme solidariedade inter-profissional. Fora, nas cúpulas e dos lados, muita coisa não tem corrido a nosso contento”. 

Autarquia financia reforma do governo

O presidente da CMS, o social-democrata Fernando Seara, puxa dos galões para relembrar que à autarquia se devem as condições financeiras e logísticas que permitiram construir a nova Extensão de Massamá, sem a qual não seria possível receber as duas USF. “Há aqui um grande esforço da câmara, que construiu estas instalações e as faculta gratuitamente às USF. Como em Outubro facultará a Extensão de São Marcos. São 5,5 milhões de euros que a autarquia de Sintra oferece. Pessoalmente, não me importo de emprestar dinheiro à administração central. Assim contribuo para que o défice público não se agrave”, diz Seara. Da relação com a Junta de Freguesia de Massamá e a ARS de Lisboa e Vale do Tejo, no âmbito deste dossier, o autarca destaca uma ligação “por vezes, silenciosa, por vezes irónica, mas sempre perseverante”. O edil quer agora que o Ministério da Saúde se empenhe na colocação de mais recursos médicos no concelho e na construção de um novo hospital em Sintra. Fernando Seara recorda que a oferta de saúde está sub-dimensionada para a população do concelho, engrossada nos últimos cinco anos por 15% dos imigrantes legais que entraram no país. “Não aparecem nos censos, mas muitos deles batem à porta das urgências no Fernando da Fonseca. Agora, podem também surgir nas duas USF que acabam de ser inauguradas”, alerta o autarca social-democrata.

Governo defende carta municipal de equipamentos

Na abertura das novas unidades de Massamá, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, realçou a importância para a reforma dos cuidados de saúde primários (CSP) da colaboração entre os diversos níveis de poder. O responsável acredita, antes de mais, que esse aprofundamento de relações passa por um planeamento conjunto do que ainda falta fazer: “deveríamos ter uma discussão com os municípios que permitisse definir uma carta municipal de equipamentos para os CSP. Através dela, seriam planeadas as condições de execução e financiamento deste tipo de equipamentos, com recurso aos apoios disponíveis”.
O secretário de Estado da Saúde confessou apreciar o design que distingue a Extensão de Massamá, mas preferiu evidenciar o recheio: “mais importante que o edifício, que é de facto bonito, é o seu funcionamento diário”.
Para o governante, as duas USF inauguradas em Massamá representam mais um trecho numa reforma dos CSP que aposta no “acolhimento, na acessibilidade dos cidadãos e na grande qualidade técnica” e que, no seu entender, segue num compasso “seguro, progressivo e continuado”.
Com a abertura da Mãe d’Água e da Mactamã, o secretário de Estado recorda que se chega à fasquia dos 190 mil portugueses que passam a ter médico de família (MF).
Manuel Pizarro está igualmente convencido que o actual ritmo de implantação de unidades é o mais ajustado às capacidades do país: “com as carências de recursos humanos conhecidas, é óbvio que as modificações têm de ser feitas na cadência certa. Não pudemos beneficiar uns para prejudicar outros, o que seria deletério do ponto de vista do efeito final”.
Por último, o secretário de Estado regozijou-se por ter encontrado nestas USF um número significativo de profissionais jovens, bem pela disponibilidade manifestada pelas equipas para receberem internos de MGF. “A formação de novos profissionais é um dos grandes benefícios que o Serviço Nacional de Saúde traz ao país, pelo que devemos consolidar as condições para que esta se faça da melhor forma possível”.

Trabalho de retaguarda pouco valorizado

O coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), Luís Pisco, identificou nos dois grupos de Massamá o mesmo entusiasmo vislumbrado em outras partes do país, pese embora todas as dificuldades que estes projectos, em particular, possam ter atravessado. “É necessário elogiar a vontade destas equipas. São um exemplo notável de perseverança e de motivação. Apesar do tempo que estiveram em suspenso acreditaram sempre nas suas ideias. Seria legítimo que ficassem descrentes, mas a verdade é que lutaram até ao fim”, sublinha o dirigente da MCSP.
Por outro lado, Luís Pisco garante que, à medida que a reforma dos CSP faz o seu caminho, poucos têm sido aqueles que conseguem enaltecer a intervenção de quem está nos bastidores: “as obras de remodelação, a informatização de serviços, a mobilidade e todos os outros aspectos que ficam entregues à Administração de Saúde, continuam ser pouco valorizados pelas pessoas. Parece-me que nem todos se apercebem da dificuldade extrema que significa actuar nestas três áreas”.
O coordenador da MCSP ressalva, ainda, que os equipamentos afectos aos CSP estão a ser objecto de uma mega-empreitada, de proporções e qualificação invulgar, já que “todas as USF sofreram obras de beneficiação, em maior ou menor escala”.

 Acarinhar os audazes

O estabelecimento de mais unidades de saúde familiar (USF) no Centro de Saúde (CS) de Queluz irá depender, em muito, da maneira com as duas equipas da frente forem tratadas nos próximos tempos.
Para António Frazão, coordenador da USF Mactamã, é evidente que a energia só será transmitida a outros se for positiva: “temos de ter consciência que, tirando o entusiasmo inicial que envolveu as USF da dianteira, os processos têm conhecido alguma complexidade e muitas desilusões. Quando se fala com a maioria dos médicos que ainda não avançaram, percebe-se que o grau de desconfiança é altíssimo”.
No que respeita às unidades de Massamá, quer António Frazão quer Mário Silva, coordenador da USF Mãe d’Água, querem, sobretudo, que alguns pormenores sejam expostos com a máxima clareza, a fim de evitar desencantos.”Os horários que propusemos foram aceites, aquando da aprovação das candidaturas. São um elemento essencial para cumprir os nossos planos de acção. De repente, somos confrontados com a dúvida sobre se a Administração de Saúde está disposta a concedê-los, ou não”, afirma António Frazão. Para este responsável, não há outra saída senão deixar tudo direitinho no papel, de modo a acomodar o planeamento de actividades elaborado pelas equipas.
No caso da Mactamã, o problema parece residir na aceitação definitiva (por parte da ARS de Lisboa e Vale do Tejo) do horário alargado para dez enfermeiras, proposto no plano de acção desta USF de Modelo A. Sem um total de 420 horas semanais de Enfermagem, torna-se impossível cumprir iniciativas que a USF deseja pôr em prática, como a visitação domiciliária, a assistência a puérperas que recebem alta hospitalar, a preparação para o parto, ou a educação para saúde, entre outras. “Há constrangimentos que é necessário aplanar de imediato, para que as pessoas sintam que o esforço que estão a fazer é recompensado. No nosso caso, a solução ideal é a que apresentámos. Não passa sequer por arranjar mais enfermeiros, até porque o espaço físico de que dispomos é limitado”, alerta António Frazão.  

Comunhão líquida

As duas unidades de saúde familiar (USF) situadas em Massamá dificilmente se poderiam desprender uma da outra, mesmo que quisessem, o que não é o caso. Estão vinculadas pela proximidade física, mas também pelo tempo de descoberta e aperfeiçoamento que partilham e, inclusive, pelo nome.
A USF Mãe d’Água foi buscar a sua designação a raízes históricas. Nomeadamente, ao facto da zona onde se implanta estar associada, desde sempre, a representações de água. Os símbolos heráldicos da freguesia assim o comprovam.
“A expressão Mãe d’Água – utilizada na gíria popular – corresponde em termos técnicos a uma construção chamada clarabóia, ou respiradouro de aqueduto. Múltiplos exemplos destas clarabóias podem ser encontrados na área central da freguesia de Massamá, já que por ali passava uma levada de água, que abastecia a Fábrica da Pólvora, em Barcarena ”, recorda Mário Silva, coordenador da USF Mãe d’Água. O mesmo dirigente assegura que Massamá sempre foi conhecida pela qualidade da sua água, pelo que será bom prenúncio associar esta imagem de qualidade à nova unidade de saúde.  
Os valores apostos à água também fazem parte do espírito da outra USF do Centro de Saúde de Queluz, a Mactamã. Este é o nome árabe da terra, que significa lugar ou fonte de boa água. “Durante a ocupação mourisca da península, esta região não era propriamente povoada. Porém, era utilizada pela cavalaria árabe como ponto de água. Ou seja, os animais bebiam aqui, em trânsito entre o Castelo de Lisboa e o de Sintra”, explica António Frazão, coordenador da USF Mactamã.


   
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