| Escrito por Adelaide Oliveira,
em 17-07-2008 16:30
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Cerca de 18% da população inscrita no Centro de Saúde de São Mamede de Infesta tem mais de 65 anos, um valor que ultrapassa a média nacional (16,5%), referida pela Direcção-Geral da Saúde. Confrontados com esta realidade, os profissionais do centro de saúde organizaram-se no sentido de dar uma resposta efectiva aos utentes no domicílio. Em 2006, foram realizadas 7.494 visitas. Em 2007, o número aumentou para 8.195. Este ano, as previsões apontam para dez mil
As visitas domiciliárias permitem uma intervenção com inúmeras potencialidades nos cuidados aos idosos. Dão resposta às necessidades dos doentes, dos cuidadores e familiares, promovem a participação activa dos indivíduos nos seus cuidados de saúde e também a solidariedade, cooperação e apoio dos amigos, grupos e associações.
Numa pesquisa sobre este tema, Patrícia Bernardino, médica interna do Centro de Saúde de São Mamede de Infesta, verificou, no entanto, que a bibliografia existente é muito escassa. Os dados que existem vêm dos Estados Unidos da América onde, na década de 50, cerca de 40% dos contactos do médico com o doente eram realizados no domicílio. Hoje, situam-se em 0,88%.
No entanto, há bons motivos para se realizarem domicílios, assegura a médica. “Muitas vezes, é a única possibilidade de o doente receber cuidados e está provado que podem diminuir, em cerca de 46%, o recurso aos serviços de urgência, assim como o número de internamentos desnecessários”.
Também de acordo com pesquisas realizadas pelos americanos, apenas 14% dos médicos realizam visitas domiciliárias. Destes, cerca de 98% são médicos de família.
A grande maioria das visitas é de âmbito geriátrico: 66% são dirigidas aos doentes crónicos, 14% a pessoas em estado terminal e 30% a grandes dependentes.
18% da população inscrita no CS tem mais de 65 anos
De acordo com a enfermeira Sónia Mendes, também do CS de São Mamede de Infesta, cerca de 36% das famílias têm idosos e aproximadamente 14% possuem, pelo menos, um membro com deficiência.
No que se refere concretamente à população inscrita no centro de saúde, 18% tem mais de 65 anos, um valor que ultrapassa a média nacional: 16,5%, de acordo com dados da Direcção-Geral da Saúde. “Infelizmente, temos muitos adultos e crianças com deficiência mas é um facto que a maioria das visitas domiciliárias são dirigidas a pessoas idosas”, salienta aquela profissional.
Entre a população idosa do centro de saúde, cerca de 15% tem mais de 85 anos. Esta situação, de acordo com a enfermeira, “implica mais necessidades de apoio. Mesmo que não sejam dependentes, sentem mais dificuldades em realizar as actividades da vida diária”.
Perante estes desafios, o centro de saúde organizou-se no sentido de dar uma resposta efectiva no domicílio. Em 2006, os profissionais realizaram 7.494 visitas. Em 2007, este número aumentou para 8.195. No primeiro trimestre deste ano foram realizadas mais de 2.500, pelo que se prevê que cheguem a 10 mil no final do ano.
Na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, o trabalho domiciliário recebe o apoio de outras equipas. É o caso do grupo de úlceras de pressão, que promove a interacção entre os profissionais dos centros de saúde e do Hospital Pedro Hispano, nomeadamente ao nível da formação, ou das equipas do pé diabético, que intervêm directamente no domicílio quando as situações assim o exigem. Acresce ainda a Equipa de Apoio Domiciliário Integrado (ADI), constituída por uma equipa multiprofissional, bem como outras instituições da comunidade, que têm vindo progressivamente a adaptar a prestação de serviços às necessidades dos utentes idosos ou dependentes.
Risco de desnutrição atinge 30% dos idosos
Na área dos cuidados aos idosos, a nutrição é um aspecto fundamental. De acordo com um estudo realizado em 2004 pelo Serviço de Nutrição do Hospital Pedro Hispano, cerca de 30,8% dos doentes idosos chegam ao hospital em risco de desnutrição.
Face a uma realidade com um impacto importante ao nível clínico, institucional e psicossocial, o acompanhamento nutricional no domicílio surgiu como um passo importante nos cuidados integrais aos idosos. De acordo com a nutricionista Mafalda Faria, do Centro de Saúde de São Mamede de Infesta, são referenciados à sua consulta, todos os anos, cerca de 25 utentes (86% pelas equipas de saúde familiar e 14% pelos médicos hospitalares). A média de idade destes doentes ronda os 77 anos. Em 54% das situações, estes utentes requerem de nutrição artificial.
Estudo revela deficiências no preenchimento dos registos
A questão da garantia da qualidade dos registos no domicílio é importante mas, também nesta área, praticamente não existem dados. Num trabalho de investigação inédito, a médica interna Mariana Pais, do Centro de Saúde de São Mamede de Infesta, em colaboração com outros quatro internos de centros de saúde da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, verificaram que os registos clínicos no domicílio apresentam algumas lacunas. Um problema grave, se se tiver em conta que “a qualidade dos registos tem implicações na continuidade dos cuidados, na avaliação dos profissionais e é um factor crítico em determinadas situações, como a intersubstituição ou a monitorização dos dados funcionais do doente e da terapêutica”.
A investigação revela uma qualidade global dos registos de apenas 49,4%. Em causa poderão estar as condições peculiares da visita domiciliária. Nomeadamente, a falta de ambiente adequado ao completo registo dos dados, o registo “em diferido” e a falta de suporte informático.
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