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Escrito por Adelaide Oliveira, em 17-07-2008 15:27


Os especialistas começam a abandonar a visão clássica do burnout, muito ligada às exigências do trabalho, para abordar a contribuição da personalidade na explicação deste fenómeno

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Os especialistas começam a abandonar a visão clássica do burnout, muito ligada às exigências do trabalho, para abordar a contribuição da personalidade na explicação deste fenómeno. Um estudo realizado por psiquiatras e psicólogos do National Health Service, ao longo de 12 anos, vem dar mais força a esta nova abordagem. A proposta, hoje, é a de mudar a imagem patológica do burnout por outra de promoção e desenvolvimento pessoal

 

Burnout é uma metáfora, utilizada pelo psicanalista americano Freudenberg, em 1974, para definir um estado de fadiga física e mental que ocorre em múltiplas profissões. As pessoas dizem que se sentem como “uma vela ou uma fogueira que se apaga lentamente” e, para além de esgotamento físico, mental e afectivo, revelam normalmente uma atitude fria e indiferente em relação aos outros, além de terem a sensação de renderem menos ou de inadequação em relação àquilo que fazem.

 

Regra geral, a abordagem do burnout centra-se nas condições e no ambiente de trabalho. Todavia, Rui Ramos, do Serviço de Psicologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, propõe uma aproximação às causas psicológicas, ou seja, à percepção e interpretação individual das exigências externas. Nesta visão de carácter holístico, interferem, para além da personalidade, muitos outros factores. Nomeadamente, o problema da definição dos papéis dos profissionais, a relação entre os objectivos pessoais e organizacionais, o conflito entre a família e o trabalho ou a falta de participação nas decisões.

As consequências do burnout passam pela denominada “despersonalização”, que impede os profissionais de exercerem o seu papel. De acordo com estimativas recentes, esta síndrome pode atingir até cerca de 20% dos trabalhadores. As consequências, em termos organizacionais, traduzem-se em absentismo e turnover e, em termos de atitudes no trabalho, em insatisfação e passividade… ou agressividade. A nível individual, a depressão, as queixas somáticas e as infecções são alguns dos resultados mais visíveis.

“Ao nível do comportamento organizacional, o profissional reage às situações, não como elas são, mas como as percebe ou representa”, explica Rui Ramos.


Serviços de saúde entre os mais geradores de burnout

 

António Leuschner, psiquiatra e presidente do Conselho de Administração do Hospital Magalhães Lemos, afirma que o burnout não é um problema exclusivo dos profissionais mas, cada vez mais, das instituições e das organizações.

 

Algumas profissões são mais susceptíveis de provocar burnout do que outras e os serviços de saúde estão nos primeiros lugares do ranking.

De acordo com Leuschner, o risco é maior nos profissionais que se consideram mal pagos, pouco apreciados ou muito criticados por razões que escapam ao seu controlo. Os trabalhadores dos serviços – que passam grande parte do tempo a tentar dar resposta às necessidades dos outros (em especial se são frequentemente confrontados com os aspectos menos bons da vida humana) estão também em risco. Entre as principais causas, destacam-se os objectivos irrealistas das pessoas em relação à sua profissão, o trabalho em condições coercivas ou punitivas, o aborrecimento associado à rotina ou sentir-se prisioneiro de um trabalho com estas características por razões económicas. Quanto à atitude preventiva mais eficaz, Leuschner afirma que o melhor será “deixar de fazer o que se está a fazer e fazer qualquer outra coisa, seja mudando de tarefa, de emprego ou até de carreira…”. Mas se isso não for possível, há sempre a possibilidade de melhorar o estado de coisas. Nomeadamente, clarificar a descrição das funções na organização (deveres e responsabilidades), pedir transferência para escapar a um ambiente “tóxico” ou solicitar novas responsabilidades, em especial se a pessoa está a fazer o mesmo há muito tempo. Outras dicas incluem a alteração de cenários e de hábitos, aprender a dizer não e a delegar nos outros.


   
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