| Escrito por Adelaide Oliveira,
em 19-06-2008 22:04
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Em sessão plenária, os cerca de 120
profissionais presentes no II Encontro das USF do Norte, aprovaram na
generalidade os estatutos da Associação de Profissionais das USF. A comissão
instaladora vai enviar convites a todas as unidades de saúde familiar (USF),
sendo de prever que, nos próximos dias, se verifique a integração de
profissionais das Regiões Centro e Sul do país
Ao
todo, 39 unidades de saúde familiar do Norte enviaram representantes – um por
cada grupo profissional – ao segundo encontro de trabalho das USF da Zona Norte,
que visou dar continuidade à partilha de experiências e aos trabalhos iniciada
na primeira reunião, em 12 de Fevereiro passado.
Nesta
ocasião, para além da aprovação dos estatutos da Associação, foram discutidos
temas relacionados com cada um dos sectores profissionais das USF. Ao nível do
secretariado clínico, a discussão incidiu sobre o facto de estes profissionais
terem, hoje, um novo e motivador desafio: participar de forma activa e com
funções bem definidas, de acordo com as suas competências, na equipa multiprofissional,
contribuindo para a prestação de cuidados e resultados de saúde.
No
que se refere à área de enfermagem, dominou a programação do trabalho do
enfermeiro de família, de acordo com áreas geográficas bem definidas. Todavia,
as conclusões do encontro apontam no sentido de que “não podem ser impostos
modelos de funcionamento iguais a realidades diferentes”, ou seja, “cada USF
deve ter autonomia para decidir o modelo a adoptar”.
Plataforma virtual visa dinamizar a
partilha de Boas Práticas
O
terceiro grande tema da reunião incidiu sobre a partilha de Boas Práticas, no
âmbito da qualidade, governação clínica, formação, investigação e gestão do
risco. Como exemplos práticos, foram apresentadas e discutidas experiências de
aplicação do ciclo de avaliação e garantia da qualidade desenvolvidas pelas USF
Nova Via, Valongo e Serpa Pinto. Para dar continuidade a esta partilha de
conhecimentos, os profissionais decidiram criar uma plataforma virtual e
incentivar as visitas mútuas, além de apresentarem uma proposta de conteúdo do
que poderá ser, no futuro, o Manual de Boas Práticas das USF.
Evolução dos sistemas informáticos é
uma das prioridades
Ao
nível da contratualização, teve lugar uma sessão plenária, durante a qual os
profissionais analisaram, pormenorizadamente, cada um dos indicadores. “Para
atingir as metas propostas e contratualizadas pelas USF é necessário um
verdadeiro e eficaz trabalho de equipa multiprofissional”, preconiza Bernardo
Vilas Boas, médico da USF Serpa Pinto e organizador das jornadas.
Os
sistemas de informação estiveram igualmente em destaque, com a presença de
elementos da anterior e actual equipa da Missão para os Cuidados de Saúde
Primários (MCSP). Uma das principais conclusões retiradas desta sessão é que os
sistemas informáticos “têm que evoluir no sentido de dar resposta eficaz às
necessidades. Por exemplo, permitindo listas de utentes e alertas em relação ao
não cumprimento dos requisitos e dos objectivos dos programas de saúde”.
Preocupações ao nível da implementação
dos ACES
Bernardo
Vilas Boas assinala que “a grande motivação e o espírito responsável dos
profissionais, conscientes da autonomia das USF e da necessidade de exercerem o
poder que abraçaram e lhes está atribuído legalmente”, foi transversal a todo o
encontro. Por outro lado, “os profissionais têm consciência de que a sua melhor
defesa é a qualidade da respectiva organização e dos cuidados de saúde”. Nessa
perspectiva, e de acordo com as conclusões do grupo de trabalho sobre as Boas
Práticas, “as USF em Modelo B
estão preocupadas e na disposição de assumir o seu papel, para chegarem à
acreditação, no prazo de três anos, como está legalmente previsto”.
O
atraso na implementação dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) foi outro
dos pontos discutidos no encontro. “Não só pelas dificuldades colocadas à
articulação dos centros de saúde com as USF – nomeadamente, no que diz respeito
à definição do manual de articulação – mas também como factor limitador da
descentralização e do avanço da reforma dos cuidados de saúde primários”,
esclarece Vilas Boas.
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