| Escrito por Miguel Múrias Mauritti,
em 19-06-2008 20:06
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Andava eu aqui há dias a passear pelas “gordas”
dos matutinos, quando dei de caras com a notícia de que os cerca de 125 mil
utentes da Freguesia de Camarate estavam zangados. Muito zangados mesmo. E com
toda a razão, diga-se em abono da verdade. E o que tinha acontecido para os pôr
naquele estado? Nada mais, nada menos, do que uma safadeza da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo
(ARSLVT) – mais uma – que no dia anterior tinha mandado encerrar a extensão de
saúde da povoação e transferir os utentes para os Terraços da Ponte, Freguesia
de Sacavém…
A léguas de distância, pois.
A malta estava tão revoltada, que decidiu
mesmo organizar uma manifestação de protesto e uma vigília. A passeata,
informava outra notícia, prolongou-se por pouco mais de dez minutos (sic), do centro da localidade até ao terreno público, para onde os habitantes
reclamam a construção de um novo centro de saúde, “há mais de dez anos”,
segundo contou aos jornalistas o presidente da Junta de Freguesia, Arlindo
Cardoso (no mesmo dia, à RTP, o Presidente da Câmara Municipal de Loures,
revelaria que o dito cujo terreno tinha dono privado e que nunca estivera reservado
ou apalavrado para o fim desejado pelo povo, ou seja: que o terreno não existia...).
Para ajudar à festa – e também porque, juram as más línguas, Tony
Carreira tinha a agenda preenchida e é natural de Armadouro, Pampilhosa, e não
de Camarate – a junta de freguesia decidiu convidar Bernardino Soares, deputado
do PCP, "filho da terra", para engrossar o coro de contestatários. “Encerramento,
não! Novo centro de saúde, sim!" gritaram, em uníssono, os manifestantes.
Curioso, quis saber mais sobre o assunto… Daí a nada, já estava na
posse de elementos que me permitiam uma primeira análise crítica… Das notícias
que incendiavam os jornais naquela manhã.
Desde logo, consegui apurar que não eram 125 mil, os utentes
transferidos no dia anterior para Sacavém. Que eram apenas 19 mil.
Pior: soube que afinal não tinha havido encerramento nem
trasladação, como noticiara, por exemplo, o Correio da Manhã. A extensão
continuava a funcionar normalmente – ou anormalmente, como se verá adiante.
Soube ainda, que as instalações para onde iria ser transferida a
extensão, distavam quilómetro e meio das actuais, mais metro… menos metro.
Que o edifício a desocupar conta mais de trinta e cinco anos de
idade;
Que não foi concebido para receber um serviço de saúde, mas sim
para habitação;
Que tem escadas estreitas
e pouco iluminadas… Impossibilitando o acesso a doentes com limitações motoras;
Que dispõe de gabinetes exíguos, partilhados
por vários médicos;
Que não reúne condições para atendimento
de enfermagem;
Que as salas de esperas são minúsculas…
Soube ainda, que o Delegado de Saúde diz
mesmo que aquilo não tem condições para funcionar ao serviço da dita…
Mas fica na Freguesia de Camarate!
Já o novo espaço, novinho em folha, foi pensado para o fim a que
se destina;
Dispõe de um gabinete para
cada médico…
Espaço próprio para a saúde materna e o planeamento
familiar…
Gabinetes de enfermagem…
Acessos próprios para pessoas com
limitações motoras ou outras…
Mas fica na Freguesia de Sacavém!
O que é absolutamente inaceitável, para
a população de Camarate.
Compreendo a indignação popular. Se por
exemplo transferissem a USF Dafundo, da Praceta dos Bombeiros Voluntários do
Dafundo para a Av. dos Bombeiros Voluntários de Algés, também eu não iria ficar
contente! É verdade que de minha casa, até ficava mais perto. Mas era noutra
freguesia e isso não é aceitável… Seria o mesmo que pedir a um sportinguista
que fosse pagar as quotas à secretaria do Benfica. Ficam ambas na segunda
circular… A menos de quilómetro e meio… Mas… Nem que a vaca tossisse...
Por isso, fica o conselho, dirigido ao
presidente da ARS de LVT…
Caro Dr. Branco, deixe-se de coisas e
mande lá construir um centro de saúde em Camarate. E já agora… Mande também construir um
na Cruz Quebrada, que esta coisa da malta do Dafundo ter que partilhar o que é
seu por direito com gente de fora… Não é admissível! E quem diz do Dafundo,
há-de com certeza dizer de muitas outras freguesias, cuja população é, também
ela, obrigada a frequentar casa alheia.
Um centro de saúde por freguesia é o
mínimo!
Miguel Múrias Mauritti
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