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Interface SAM/ALERT P1
Simplificar é tão complicado… PDF

Escrito por Tiago Reis, em 20-05-2008 16:40


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A interface entre o Sistema de Apoio ao Médico (SAM) e a aplicação Alert P1, continua à espera de decisões que tardam em ser tomadas, para entrar em cena. A chegada desta interface, que foi testada com sucesso nas Unidades de Saúde Familiar Nova Via e Fânzeres, permitirá que os médicos de família introduzam toda a informação essencial no módulo de referenciação do SAM, a qual é automaticamente transposta para o Alert P1, sendo apenas necessário que o profissional de saúde… faça várias confirmações… naquela aplicação informática criada no âmbito do projecto Consulta a Tempo e Horas. Complexo? É a era SIMPLEX, em toda a sua pujança. Entretanto, em vários pontos da região norte, cimenta-se a certeza de que todo este trabalho seria verdadeiramente desnecessário, caso se desenvolvessem, a fundo, os módulos de referenciação dos sistemas que os médicos adoptaram como seus… Deixando de lado o Alert…  

Durante meses, técnicos da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e profissionais das unidades de saúde familiar (USF) Fânzeres – CS de Rio Tinto/S. Pedro da Cova – e Nova Via – CS de Arcozelo/Boa Nova – colaboraram para gerar uma ligação optimizada entre SAM e Alert P1. O que se pretendia, em resumo, era que o médico tivesse o mínimo de contacto possível com um sistema (Alert P1) que é, para todos os efeitos, ainda considerado um elemento desconforme na infra-estrutura de comunicação dos cuidados de saúde primários (CSP). Depois dos testes (bem sucedidos) ficou-se à espera que alguns ajustes fossem aprovados. Em particular, a redução do número de confirmações que ainda eram exigidas no Alert P1, para validar o pedido de consulta. Ou seja, ao invés das seis ou sete confirmações que o médico tinha sucessivamente de inserir, sugeria-se que todo o processo fosse limitado a uma só confirmação de campos preenchidos Tal vontade ficou dependente de uma negociação (que ainda decorrerá) entre a ACSS – a entidade responsável pelo SAM – e a empresa Alert Life Sciences Computing, titular dos direitos do Alert P1. Uma negociação que dura há várias semanas e para a qual não se vislumbra um desfecho.

Note-se que todos estes desenvolvimentos resultam do facto dos profissionais dos CS terem sido obrigados a conviver com mais uma aplicação informática, o Alert P1, que os obriga a introduzir manualmente os dados administrativos e clínicos do utente no pedido de consulta. Caso fosse possível referenciar por intermédio do SAM (assim como do MedicineOne ou do VitaCare), nenhum destes dilemas se colocaria, já que a informação clínica e administrativa que deve acompanhar o pedido de consulta já está presente nos sistemas de informação que servem a unidade.

Desenvolvimento do SAM manietado pelo Alert P1

Pedro Moura Relvas é coordenador da USF Nova Via, onde foi experimentada a interface entre os dois sistemas. Segundo o membro da equipa nacional da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, os avanços conseguidos com a interface testada são já substanciais: “já é possível preparar a referenciação no SAM, que depois acciona automaticamente o Alert P1, no qual deixa de ser necessário inserir dados. A informação aparece transcrita nos campos do Alert, sem ser exigida intervenção ao médico, excepto ao nível da validação. Contudo, na versão que testámos ainda é necessário percorrer vários ecrãs do Alert, para efectuar confirmações. Estamos, precisamente, a tentar que nos seja dada a possibilidade de ultrapassar este último obstáculo”. Todas estas melhorias resultam, portanto, do desenvolvimento do módulo de referenciação do SAM, que por causa da entrada em cena do Alert P1 ficou reduzido ao papel de mediador, ou facilitador interno. “Este módulo de referenciação do SAM, que está ao serviço do Alert P1, é ele próprio, o espelho de uma política de contradições ao nível dos sistemas de informação”, reforça Miguel Melo, médico da USF Fânzeres que participou também na criação da interface.

No entender deste médico de família, é evidente que “o aparecimento do Alert P1 acabou por contribuir, em grande medida, para que o desenvolvimento do módulo de referenciação do SAM ficasse parado, ou pelo menos limitado no seu alcance”.

Pedro Moura Relvas deseja, acima de tudo, que se avance com a solução menos má, o que significa instalar o novo módulo de referenciação do SAM (que é hoje, na realidade, mais um módulo de migração de dados do que outra coisa) no computador de todos os utilizadores, permitindo que a presença do Alert P1 se torne quase invisível: “depois de haver uma decisão, o módulo pode ser instalado em todos os CS numa questão de horas. O que é importante é que se chegue a um consenso sobre a versão final, para que não se façam várias actualizações”. Prevê-se também que, em breve, as aplicações MedicineOne e VitaCare tenham de passar pelo mesmo processo, no sentido de facilitar a transferência de dados para o Alert P1.

Espera obriga a resgatar papel

Na óptica de Miguel Melo, todo o esforço que ele e os seus colegas da USF Fânzeres investiram na interface entre SAM e Alert P1 será bastante útil, para evitar a duplicação de tarefas. E irá pôr fim a uma irracionalidade: “é um contra-senso ter de trabalhar com vários sistemas em paralelo. Assim, tentámos minimizar a perturbação que o Alert P1 vem trazer ao nosso funcionamento diário, sem nunca esquecer que esta foi uma linguagem de articulação que nos impuseram”.

Porém, os frutos deste trabalho nem sequer estão disponíveis para os pioneiros que ensaiaram a interface, já que depois da fase de testes, tudo voltou à rotina habitual, à espera que a ACSS e os responsáveis do Alert P1 alcancem um acordo definitivo. Tal significa que na USF Fânzeres, onde a utilização não mediada do Alert P1 sempre foi recusada pelos médicos de família, as referenciações para o Hospital de São João continuam hoje a seguir por fax, através do P1 em versão de papel, com dados clínicos preenchidos à mão. “As ligações pelo Alert P1 não eram as melhores e tornavam a referenciação morosa. Por isso, decidimos apenas utilizá-lo quando a integração estivesse completa”, explica Miguel Melo.

Referenciar, sem Alert P1?

De notar que em alguns locais da região norte, em particular na Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos e mais recentemente no distrito de Viana do Castelo, já é possível aos médicos dos centros de saúde acederem a dados do processo clínico hospitalar. Tal deriva do facto dos sistemas utilizados em ambos os pólos de comunicação terem sido desenvolvidos no mesmo meio (antigo IGIF, actual ACSS), possuindo arquitecturas similares. Isto é, em regiões onde os hospitais contam com o SONHO e com o SAM hospitalar, e os centros de saúde possuem o SAM, é fácil a consulta de dados sobre o doente que passa pelo hospital (motivos para episódio de urgência, exames, etc.). Igualmente fácil e ágil seria efectuar a referenciação entre os níveis de cuidados através desta ligação e contar com boa informação clínica de retorno, mas aí o Alert P1 acabou por se impor, gerando a confusão que se tornou pública nos últimos meses. Também a interoperacionalidade entre as outras aplicações dos CSP (MedicineOne e VitaCare) e os sistemas hospitalares seria facilmente atingida, do ponto de vista técnico, o que permitiria criar canais de referenciação directos. Desta forma, garantia-se aos médicos dos dois lados (hospitais e CS) o benefício de trabalhar apenas no seu ambiente informático natural. Não é, portanto, necessário, um grande salto dedutivo para perceber que o Alert P1 (enquanto ferramenta técnica), não é de grande utilidade, mesmo que o projecto que ajuda a implementar se baseie em conceitos muito importantes (referenciar por via digital, em busca de rapidez, simplificação e informação coerente). “Nos locais onde já estão instalados sistemas como o SAM e o SONHO, em boa verdade o Alert P1 nem seria necessário, porque a referenciação poderia ser feita de uma forma mais directa. Trata-se, hoje, de uma aplicação que não tem razão de existir. Serviu o seu propósito de simplificação, num primeiro momento, mas não pode ser entendida como a solução ideal para o futuro”, frisa Pedro Moura Relvas. Também para Miguel Melo, a referenciação directa entre os sistemas de informação instalados em CS e hospitais, sem passar pelo Alert P1, será mais vantajosa, em termos de rapidez e de qualidade dos dados disponíveis: “o Alert P1 não nasce de uma necessidade sentida pelos profissionais no terreno, não surge de baixo para cima, mas sim para preencher uma lacuna que alguns detectaram (a falta de desenvolvimento atempado dos módulos de referenciação). Mas como chega com uma linguagem diferente, pouco amigável, rapidamente se tornou um corpo estranho”.

Na opinião do médico da USF Fânzeres, “seria muito mais fácil uma utilização universal do SAM para ter acesso ao processo clínico hospitalar do utente e, nesse enquadramento, ser possível ao médico de família aceder igualmente à marcação de consultas. Este seria o caminho ideal”.


   
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