| Escrito por Carl Steylaerts,
em 19-04-2012 18:32
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No seu livro Jonathan Blair: Bounty Lands Lawyer (1954), W.D. Ellis coloca uma questão pertinente: "o que
é um dólar?". Hoje sabemos que "tempo é dinheiro", por isso a resposta é
relativamente fácil: tempo! O que nos conduz, quase automaticamente, para Fureai Kippu, Saber e Curitiba.
Curitiba é uma cidade no Sul
do Brasil que, em 1971, teve um problema com a sua favela: "os camiões do lixo
não conseguiam circular pelas ruelas estreitas e começaram a surgir focos de
doença. Grandes contentores de metal foram, então, colocados à entrada da
favela e cada pessoa que depositasse um saco de lixo reciclado nestes
contentores recebia um passe para o autocarro. Os que recolhiam papel e cartão
recebiam fichas de plástico, que podiam trocar por pacotes de fruta e vegetais
frescos. Para além disso, um programa de reciclcagem promovido por uma escola
local conseguiu livros para os alunos mais carenciados". Em pouco tempo, a
favela estava limpa.
O Saber é o pagamento que uma criança de seis anos recebe pelas
aulas. Nada mais, nem cigarros, nem drogas, apenas lições. E as crianças de
sete anos podem receber saberes por
ensinarem as de seis anos. A beleza deste conceito está no facto de as crianças
de sete anos serem, simultaneamente, pupilos e professores activos, em vez de
apenas alunos passivos. E podem pagar a universidade da melhor forma que se
domina o conhecimento: ensinando!
Aquando da sua reforma, em
1991, Mr. Tsutomu
Hotta, um antigo e altamente respeitado advogado e ministro da Justiça, decidiu
concentrar as suas energias num aspecto da sociedade japonesa em franco
crescimento: prestação de cuidados à população idosa. A ideia de Hotta era
encorajar 12 milhões de voluntários através dos Fureai Kippu (palavra japonesa para caring relationship
ticket e que
designa um sistema de prestação de cuidados de proximidade a idosos). Na mesma
altura, um relatório oficial propunha que se estabelecesse um sistema de
prestação de cuidados formal, que estaria na linha final desta network e poderia ser gerido por
diferentes organizações. "Após o terramoto que assolou a região de Kobe a 17 de
Janeiro de 1995, tornou-se claro que a capacidade de intervenção do governo
japonês num evento desta escala estava claramente sobrecarregada, e
espontaneamente surgiu um movimento voluntário que respondeu às necessidades
mais prementes naquela situação".
De acordo com o sistema Fureai Kippu, uma hora de voluntariado é recompensada
com um bilhete que o voluntário pode guardar ou oferecer como presente a quem
necessite. Segurança social, novo vinho em velhos rótulos.
Estas três moedas focalizam-se
em tempo abundantemente disponível, novo e fresco para todos, todas as manhãs!
Tentemos fazer o melhor uso
dele. Saber e Desenvolvimento
Profissional Contínuo... ser simultaneamente aluno e estudante, aprendizagem
contínua ao longo da vida que se torna mais valiosa! Curitiba... prestar um
serviço para a sua organização científica e receber, em troca, uma recompensa
com valor... Prestar um serviço no seio da sua comunidade e receber um Fureai Kippu... A WONCA poderá ser a Casa Mãe necessária para fazer o sistema
funcionar.
Obviamente que, para além da moeda complementar,
precisaremos de moeda universal também. Mas menos do que anteriormente.
Encontrei um interessante vídeo no YouTube
da RSA onde são apresentados resultados de estudos motivacionais por Dan Pink.
Os médicos de família não precisam de mais dinheiro, estando provado que isso
resulta em fracasso. Precisamos, isso sim, de um sentido de autonomia
(liberdade), autoridade e decisão.
Aparentemente, a ganância fica de fora e a empatia entre
em jogo. Será assim?
Jeremy Rifkin acredita que sim e escreveu um livro sobre
isso: The Empathic Civilization: The Race
to Global Consciousness In a World In Crisis. De todos os sítios onde
começar, o livro inicia-se... na Flandres, Bélgica! No dia 24 de Dezembro de
1914, quando os soldados, belgas, britânicos, alemães e franceses acharam que
era tempo de serem mais humanos e cantaram uma canção em conjunto... deixando a
matança para os generais. Pode a empatia ser um meme forte, seleccionado
através dos procedimentos de selecção de Darwin? Será que é herdado de forma
recessiva e escudado epigeneticamente pela simpatia? E que agora é a altura de
vê-lo prosperar? Espero sinceramente que sim.
Carl
Steylaerts, MD
Tesoureiro
honorário da WONCA Europa
http://www.archive.org/stream/jonathanblairbou001395mbp#page/n7/mode/2up
http://www.lietaer.com/2010/09/the-story-of-curitiba-in-brazil/
http://www.lietaer.com/2010/01/the-saber/
http://www.lietaer.com/2010/01/complementary-currencies-in-japan-today/
http://www.youtube.com/watch?v=u6XAPnuFjJc
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