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Inauguração da USF Ribeirinha - Barreiro
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em 19-04-2012 15:17


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É a nova unidade de saúde familiar do agrupamento de centros de saúde do Arco Ribeirinho. A Ribeirinha localiza-se no Barreiro - juntinho ao Tejo - e traz médico de família a 7.096 utentes que anteriormente se encontravam a descoberto. De acordo com as autoridades de saúde locais, graças à abertura deste serviço, a totalidade da população da freguesia da Verderena fica com apoio directo de um especialista de Medicina Geral e Familiar, sendo ainda possível contemplar quase 5 mil habitantes da freguesia vizinha do Alto Seixalinho. Contudo, a característica mais distintiva da unidade não é a abrangência cuidados que presta, mas o facto de ocupar instalações cedidas por uma conhecida cadeia nacional de supermercados, numa parceria inédita. Paulo Macedo foi conhecer o projecto de perto, no dia da inauguração. O governante confia que a cooperação entre Ministério da Saúde e organizações da sociedade civil, como aquela que libertou espaço para a Ribeirinha, beneficia o Serviço Nacional de Saúde e a sua oferta

 

Com o encerrar do mês de Fevereiro, o agrupamento de centros de saúde (ACES) do Arco Ribeirinho passou a integrar a sua sexta unidade de saúde familiar (USF), a Ribeirinha. Inaugurada pelo ministro Paulo Macedo, esta unidade deverá abarcar 12 mil e quinhentos utentes, até ao final do ano.

No imediato, a abertura da USF Ribeirinha resulta na cobertura de cerca de sete mil utentes que se encontravam anteriormente sem médico de família (MF) atribuído, com claras perspectivas de melhoria de serviço para os residentes da freguesia da Verderena e um nítido desanuviamento da antiga Extensão do Centro de Saúde do Barreiro que funciona ainda na Avenida do Bocage, localizada no interior da freguesia do Alto do Seixalinho.

Importante referir que a Ribeirinha está localizada numa antiga galeria comercial, pertencente ao Grupo Jerónimo Martins e adstrita a um supermercado detido por aquela organização.

O arranque da USF apenas foi possível porque o Grupo Jerónimo Martins cedeu gratuitamente à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) o espaço da antiga galeria comercial (num total de 900m2) e investiu perto de 300 mil euros, na remodelação e adaptação da área. Por seu lado, a ARSLVT gastou mais 258 mil euros, destinados ao apetrechamento técnico e climatização das instalações.

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Só com esta junção de esforços foi possível criar as condições para que um grupo de sete médicos, sete enfermeiros e cinco administrativos (coordenado pelo médico Ferreira Santos) pudessem iniciar funções.

Pode parecer estranho para alguns, mas a verdade é que nos próximos meses muitos utentes do Barreiro entram numa nova rotina: de uma só penada, queixam-se de incómodas dores lombares, trocam de penso e aproveitam para trazer pão fresco e verduras do dia.

  

Barreiro ainda tem perto de 15 mil cidadãos sem MF

 

Segundo a directora executiva do ACES do Arco Ribeirinho, Maria Manuela Marques, a inauguração da Ribeirinha foi um dia de festa: "os profissionais sonharam com este projecto e ao longo destes meses foram-no construindo, sob a égide do Dr. Ferreira Santos. Contarão com o nosso apoio total, mas também com a nossa exigência nos resultados e metas a atingir, necessários em termos de ganhos de saúde e enquanto contributo para a sustentabilidade do SNS".

Carlos Humberto de Carvalho, presidente da autarquia local, relembrou que o "Barreiro sempre foi uma terra de trabalho, tecnologias e desenvolvimento, características que devem ser mantidas para o futuro" e nas quais se encaixa o cunho inovador da USF Ribeirinha. O edil recordou que depois de contactado pelo Grupo Jerónimo Martins, o executivo camarário não hesitou relativamente ao fim que poderia ser dado a um espaço tão nobre, espraiado junto à linha fluvial: "concluímos - e bem - que o que mais falta fazia à freguesia era um equipamento de saúde".

O autarca desejou, ainda, boa sorte ao ministro da Saúde, na tarefa de conseguir que os 15 mil utentes ainda sem MF do concelho de Barreiro sejam incorporados em listas.

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"Espero também que o Centro Hospitalar do Barreiro/Montijo não continue a perder valências e a encerrar serviços, como está a acontecer com a piscina, que tanta importância terapêutica tem para os seus utentes", avisou Carlos Humberto de Carvalho. Por fim, o autarca pediu a Paulo Macedo que o ajude a "a ultrapassar as carências do Centro de Saúde de Santo António, tantas vezes prometido e inscrito em PIDDAC - mas sucessivamente adiado -, assim como a resolver a transferência da Extensão da Avenida do Bocage para um novo local".

 

Ministro defende reforma dos CSP e dinamização de novas USF

 

Paulo Macedo mostrou, durante a sua passagem pela margem sul do Tejo, estar atento a um dos principais problemas que afecta o SNS, mas ao mesmo tempo confiante de que estão a ser dados os passos certos: "é conhecida a carência de MF e de outros profissionais de saúde nesta região. Com a entrada em funcionamento da USF Ribeirinha, 83% dos mais de 92 mil utentes inscritos no concelho do Barreiro ficam cobertos por MF. Não ficando inteiramente resolvido o problema, a criação desta USF contribui, decisivamente, para o atacar e aponta o caminho que iremos prosseguir".

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O responsável da João Crisóstomo explicou que será reforçada a aposta no lançamento de USF, serviços de proximidade formados sempre em harmonia com as carências das comunidades e com a colaboração do poder autárquico. Todavia, afirmou o governante, projectos como a Ribeirinha não dependem só da vontade do Ministério: "as USF não se fazem por regulamento! É preciso que sejam os profissionais de saúde a considerarem que têm condições para exercer melhor a sua actividade e para prestarem melhores cuidados". Para o ministro, o potencial de transformação e inovação dos serviços de saúde em Portugal é ainda muito grande, apontando o exemplo da reforma dos CSP: "as USF têm por responsabilidade manter e melhorar o estado de saúde das pessoas por elas abrangidas, através da prestação de cuidados de saúde gerais, de forma personalizada, com boa acessibilidade e continuidade. São serviços de contacto fácil e afável, na relação que estabelecem com os utilizadores. Contudo, é sempre possível melhorar. Por isso, a reforma está a ser aperfeiçoada, tendo sempre em mente uma ética de serviço público que promova a eficiência, a participação dos cidadãos e o envolvimento dos profissionais". O ministro frisou ainda o papel fundamental do Grupo Jerónimo Martins para a implantação da USF Ribeirinha. Só mediante o auxílio do grupo de distribuição alimentar foi possível à ARSLVT encontrar um espaço moderno e bem equipado, sem encargos adicionais durante um período de cinco anos.

 

Equipa jovem não receia coexistência íntima com supermercado

 

Em declarações ao Médico de Família, o coordenador da USF Ribeirinha garantiu que a juventude da equipa médica é um dos seus maiores trunfos: "sou o único sénior. Aliás, à excepção de outro colega, todos os restantes membros médicos terminaram a especialidade há menos de um ano".

Ferreira Santos sublinha, também, que as instalações onde foi colocada esta unidade são de boa qualidade e estão apetrechadas com os meios imprescindíveis ao cumprimento da missão fundamental da USF.

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O facto das mesmas serem contíguas a um supermercado é algo que não apoquenta o responsável: "até agora, não se registaram quaisquer problemas. O Grupo Jerónimo Martins fez tudo o que pedimos, levando a cabo todas as alterações essenciais que surgiram ao longo do processo. De facto, não conheço nenhuma USF nestes moldes, situada junto a uma área comercial, mas julgo que não haverá qualquer problema de promiscuidade. As pessoas vêm ao médico e só vão ao supermercado se acharem que devem ir!".

De acordo com Ferreira Santos, a convivência entre USF e Grupo Jerónimo Martins no mesmo edifício será, com toda a certeza, salutar. Na sua opinião, a partilha do imóvel é um preço irrisório a pagar por um ganho bem maior: "caso não aceitássemos esta divisão, simplesmente não teríamos um espaço como este. No presente, seria muito complicado encontrar no Barreiro uma área adequada e disponível para desenvolver o trabalho da USF, com boas acessibilidades e transportes".

 

Vaias ameaçaram estragar a festa

 

À espera de Paulo Macedo, Leal da Costa, dirigentes máximos da ARSLVT e do Ministério da Saúde, do poder autárquico e demais convidados para a cerimónia inaugural da USF Ribeirinha, estavam algumas dezenas de manifestantes. À sua volta era evidente, também, um musculado aparato de segurança, com dezenas de agentes e diversas viaturas da polícia.

Mas os contestatários não esmoreceram. Envergando bandeiras, faixas e megafones, os elementos das comissões de utentes do concelho do Barreiro (CUCB) lançaram slogans de protesto contra as políticas de saúde adoptadas pelo governo de Passos Coelho e entregaram, em mão, ao ministro da Saúde, um conjunto de manifestos onde explicavam as suas posições.

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Queixas relacionadas, por exemplo, com a falta de pessoal nos centros de saúde, de condições de trabalho para os enfermeiros do Centro Hospitalar do Barreiro/Montijo ou com o encerramento de vários serviços naquela estrutura hospitalar, entre os quais, a piscina fisioterapêutica. Estas comissões alertam, também, para a falta de especialistas (obstetras, pediatras, ginecologistas psiquiatras, etc.) no Hospital do Barreiro, além de equipamentos e materiais básicos, como sejam roupa de cama ou penicilina.

O porta-voz das CUCB, António Palma Pacheco, declarou ao nosso jornal que a intenção dos manifestantes era a de denunciar o actual cenário de prestação de cuidados naquele concelho e não o de enjeitar a nova USF: "nada temos contra a USF agora criada e o nosso propósito não passava por questioná-la. Esta USF pode até trazer benefícios, algo que só poderemos verificar com o seu regular funcionamento. Porém, nós temos outros problemas muito sérios no concelho do Barreiro e desejámos, através de uma troca de impressões e da entrega de alguns documentos, chamar a atenção do Sr. Ministro da Saúde".

Palma Pacheco reforça que cerca de 32% dos cidadãos do concelho não têm ainda MF e que as instalações da extensão de saúde situada na Avenida do Bocage não estão à altura das necessidades: "estamos a falar de uma unidade de saúde num quinto andar, com escadas estreitas e íngremes. Foram feitos alguns investimentos recentemente, mas que não resolveram as questões de fundo. Não nos podemos esquecer que este serviço de saúde é frequentado por pessoas muito idosas, grávidas e crianças, não existindo saídas de emergência. Obviamente, alertámos para o perigo que constitui tal situação".

O porta-voz das CUCB esclarece, ainda, que estes movimentos se manterão vigilantes, de maneira a perceber se a criação da USF Ribeirinha terá um impacto tão positivo como parecem indiciar as informações oficiais: "vamo-nos debruçar sobre estas transferências de médicos, de ficheiros, de serviços de enfermagem, para depois tirar conclusões. Isto porque os números apresentados pela directora executiva do ACES, relativamente aos ganhos de acessibilidade, parecem-nos um pouco precipitados e matemáticos. O nosso receio é que sejam transferidos profissionais da Extensão da Avenida do Bocage, o que resultaria numa espécie de efeito de cobertor".

 


   
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