| Escrito por Cláudia Brito Marques,
em 19-07-2010 12:15
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Ana Jorge anunciou, no passado dia 14, que processo de
reforma dos CSP, iniciado em 2005, vai entrar numa segunda etapa de
desenvolvimento. Para além de cinco vectores estratégicos - internalização da
condução e da execução da reforma, atenção especial aos recursos humanos,
integração de cuidados, comprometimento científico e participação da sociedade
-, este novo fôlego contempla sete áreas de actuação, entre as quais se destaca
um impulso na entrada em funcionamento de novas USF. A partir de Setembro, serão
pelo menos oito as USF a abrir portas, mensalmente, até ao final do ano...
O novo modelo de
governação da reforma dos cuidados de saúde primários (CSP) está pronto para
entrar em marcha... No passado dia 14, a ministra da Saúde, Ana Jorge, e o
secretário de Estado adjunto e da Saúde (SEAS), Manuel Pizarro, apresentaram a
Etapa II do processo de reforma - os seus vectores estratégicos e as estruturas
"simplificadas, funcionais e flexíveis" que a integram - e anunciaram um plano
de acção, a curto prazo, com projectos-guia e prazos definidos (ver tabela), que abrange o sistema de
informação e um concurso de projectos de investigação de apoio à reforma dos
CSP.
De acordo com Ana
Jorge, "é agora necessário internalizar os dispositivos de prossecução da
reforma e consolidar as transformações organizacionais a nível nacional,
regional e local". Para além disso, é indispensável conceder uma "atenção
especial aos recursos humanos (RH) em saúde, melhorando os processos de gestão
previsional, skill mix, satisfação,
motivação, formação e outros factores determinantes para o desenvolvimento
profissional nos CSP", acrescentou a ministra.
A integração de
cuidados é outro dos vectores estratégicos desta nova fase, sendo dada prioridade
às interfaces entre os CSP, os hospitais e a Rede Nacional dos Cuidados
Continuados Integrados, "responsabilizando os conselhos clínicos dos
agrupamentos de centros de saúde (ACES) e as direcções clínicas dos hospitais
para trabalharem em estreita cooperação". Neste novo fôlego da reforma dos CSP
serão ainda essenciais as vertentes do comprometimento científico - com a produção
de investigação sobre uma reforma inovadora no contexto internacional, que
funcionará como instrumento de desenvolvimento do sistema de saúde - e da
participação da sociedade, através do envolvimento dos cidadãos e das
comunidades no âmbito do novo modelo de governação, mais concretamente, através
do Conselho Consultivo.
Metas definidas, soluções na forja...
De acordo com a
estratégia de Ana Jorge, a Etapa II da reforma dos CSP será impulsionada por um
conjunto de projectos imediatos, "ao mesmo tempo que se preparam novos
instrumentos orientadores nas áreas em que, dado o pioneirismo que representam
ou a complexidade de que se revestem, é necessário mais algum trabalho
preparatório e de maturação", lê-se no documento, a que o nosso jornal teve
acesso.
Até ao final do ano,
as metas estão bem definidas e contemplam a entrada em funcionamento de, pelo
menos, mais 32 unidades de saúde familiar (USF), 40 unidades de cuidados na
comunidade (UCC), 30 unidades de saúde pública (USP) e 20 conselhos da
comunidade. Sem esquecer, porém, as outras unidades funcionais dos ACES -
através da "harmonização de aspectos organizativos das unidades de cuidados de
saúde personalizados (USCP) e das unidades de recursos assistenciais
partilhados (URAP)" -, o desenvolvimento da governação clínica e a subsidariedade
nas decisões de gestão.
Cativar os
profissionais para o novo modelo organizativo nesta segunda fase da reforma não
deverá ser um problema, na óptica de Manuel Pizarro, que também esteve presente
na apresentação. Para o SEAS, "o essencial é robustecer a administração no
sentido de dar resposta ao entusiasmo já existente... Não podemos esquecer que
para além das 248 USF em funcionamento, temos 120 candidaturas prontas a
avançar", adiantou o governante, salientando que "no que toca às UCC, a
motivação dos profissionais é ainda mais expressiva - há 20 UCC em actividade e
250 candidaturas à espera de avaliação".
Ainda assim, Manuel
Pizarro reconhece alguns constrangimentos no processo, nomeadamente ao nível da
mobilidade dos profissionais, "que já estão a ser equacionados pela tutela",
garante.
Outros dois problemas
recorrentemente referidos pelos profissionais no terreno são a ineficiência dos
sistemas informáticos (SI) e o atraso no pagamento dos incentivos. Questionado
sobre o que está o Ministério da Saúde a fazer para solucionar estes entraves
ao sucesso da reforma, o SEAS revelou estar em curso o concurso (lançado há
dois meses) para a actualização tecnológica e funcional do sistema de
informação (SAM e SAPE). "Um estudo realizado em 2009 concluiu que a
actualização deste sistema - os outros
softwares existentes nos CSP são minoritários - é a solução preferida pela
maioria dos profissionais, bem como a melhor solução para a administração
pública, do ponto de vista da relação custo/benefício", explicou.
Quanto ao atraso no
pagamento dos incentivos, Manuel Pizarro, adiantou que "a tutela espera que
durante este mês seja possível completar a avaliação da actividade realizada em
2009 e, em função da mesma, anunciar desde logo a atribuição dos incentivos,
quer institucionais, quer financeiros".
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