| Escrito por Adelaide Oliveira,
em 18-06-2010 16:25
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Na
sequência do desenvolvimento do portal MGFamiliar, criado em 2007 por Carlos
Martins, o médico de família e docente da Faculdade de Medicina da Universidade
do Porto decidiu avançar, no final de Maio, com a realização de um novo evento
científico - as MGF.net Talks - que
reuniu na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos dezenas de MF, internos
da especialidade e estudantes de Medicina.
"As
novas tecnologias da informação e da comunicação têm vindo a facilitar o acesso
à informação sobre saúde, quer para os pacientes, quer para os profissionais,
contribuindo para um acelerado processo de transformação da prática clínica, do
modelo e da forma como as decisões são tomadas na consulta", explica o
médico. "Num processo de transformação que contribuiu já para a criação de
novos conceitos, como o e-Health, e-patients e Health
2.0, o proliferar das redes sociais traz-nos agora mais um passo
evolutivo". Contudo, "torna-se necessário debater este processo de
transformação".
As
primeiras MGF.net Talks visaram, assim,
sensibilizar os médicos de família para as vantagens do uso das novas
tecnologias, debater os seus riscos e benefícios, e também o papel dos
profissionais na capacitação dos indivíduos através, por exemplo, das redes
sociais e do e-Health.
Talks pouco
convencionais
Com
uma estrutura um pouco diferente dos congressos tradicionais, a primeira edição
das MGF.net Talks foi desenhada com um
grande sentido prático, privilegiando-se, na programação do evento, a
interactividade com a assistência. Em vez das tradicionais mesas redondas,
Carlos Martins propôs conversas (talks)
de 15 minutos, seguidas de diálogo com a plateia.
O
primeiro dia do evento foi preenchido com a realização de três workshops de
treino prático, seguindo-se, na jornada seguinte, as talk propriamente ditas.
A
sessão contou com a participação, entre outros, dos médicos de família Maria
José Ribas, Ana Ferrão, Alexandre Gouveia, Ângela Teixeira, Jaime Correia de
Sousa, John Yaphe e José Luís Biscaia, que abordaram desde as questões de
registo clínico electrónico, ao e-counselling e
à utilização de PDA na prática clínica.
MGFamiliar
recebe 12 mil visitas por mês
De
acordo com Carlos Martins, as MGF.net Talks representaram
"quase que um passo natural do projecto MGFamiliar" que recebe, por
mês, mais de 12 mil visitas. Quanto ao número de consultas de páginas, já
ultrapassa 33 mil. Nalgumas horas do dia, cerca de 25% dos acessos são feitos a
partir de computadores ligados ao servidor do Ministério da Saúde, o que
significa que "o portal é cada vez mais utilizado pelos colegas como apoio
à prática clínica".
Informação
sem riscos
O
MGFamiliar começou "quase como um directório de links" com informação
importante para médicos, internos e estudantes, mas "progressivamente foi
evoluindo com a introdução de conteúdos e ferramentas úteis, não só para a
Medicina Familiar como para o público em geral".
Hoje,
"o doente, quando vem à consulta, traz consigo múltiplas vozes e
conhecimentos, adquiridos através das novas tecnologias". Tal facto, na
perspectiva do médico de família, "permite uma interactividade muito
maior" na relação médico-doente.
Pesem
as vantagens que se lhes reconhecem, a novas tecnologias também comportam
riscos. "Muitas vezes, nesses circuitos, não existem filtros de validação
da informação", o que pode induzir as pessoas em erro ou a tomar atitudes
menos correctas em relação à sua saúde. Por isso mesmo, outro dos grandes
objectivos do portal desenhado e desenvolvido por Carlos Martins é
"fornecer informação filtrada e validada" ao cidadão comum.
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